Aventureiros de todos os cantos vieram
Como se a Terra fosse quadrada como antes
Movidos pelas fotos e propagandas que viram
De lavouras de café, milho, feijão e arroz verdejantes
Marcelândia cidade amada por todos,
no entanto derramando amor para poucos.
Até desprezo pelos peões do “Espera-tapa”
Que eram transformados em escravos brancos.
A mentira foi a pedra fundamental
Para o nascimento da que seria fenomenal
Pouco a pouco foi chegando o pessoal
Que recebia os seus lotes em outro local
Mães e filhos que choravam de fome e desgosto.
Tão distantes dos seus parentes queridos.
Voltarem para o Sul não podiam,
porque nem dinheiro mais tinham.
Matas eram derrubadas
O ronco do motosserra ecoava
A floresta toda agonizava
E as chamas consumiam o que sobrava
Esperanças num futuro alimentava a todos
Que sonhavam da terra bruta tirar a comida
Na confusa caminhada imposta pelos outros
Pra no ano seguinte continuarem a investida
Disseram que eras uma terra boa que dava
bons alimentos como milho, arroz e feijão.
Quando chegaram aqui os migrantes,
viram que era a mais pura ilusão.
Ingrata foi a terra que pouca produção deu
Aos poucos, a vocação agrícola lentamente morreu
Surgiu o madeireiro e novo vigor reapareceu
O agricultor, pequeno, quebrou, desapareceu
Ressurgiu como operário nas serrarias
Como operário favelado nas cidades lindeiras
Em alcoólatras muitos se transformaram
Destruindo seus futuros e suas próprias famílias
As matas ainda derrubadas
O ronco dos 51 também ajudavam
A floresta e pastagens agonizavam
Pois as chamas invadiam o que encontravam
Mãe que acolhera os teus filhos em teu seio
Sem distinção de raça, cor, credo
Mesmo fundada na covarde mentira
Abraçava a outros que o ouro não acharam
Prostituída por políticos infames
As matas agora pouco derrubadas
O ronco do motosserra se acaba
Os tratores fazem a terra enleirada
Mãe prostituída que hoje aborta seus filhos
Ao desengano pelo mundo desvalidos
Pois deles não mais necessita e despreza
Como partes doentes do seu organismo
Cidade querida que dificilmente mudará,
Pois em seu ventre abunda a miséria
de um ambiente que jamais se regenerará
e a bem poucos benefícios trará.
Terra fundada na cultura da ilegalidade
Onde paira e se cultua a vil leviandade
Dificilmente das cinzas renascerá
E esperanças num outro futuro renasce